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A primeira coisa a se dizer sobre esse post: não,eu não sou crítico de cinema e nem pretendo ser. Mais o fato de ter assistido a esse filme ontem, me fez sair da sala de cinema pensando alguns pontos que pretendo colocá-los logo a seguir.

Bom, pra ser bem sincero, o filme é bom mais sabe quando falta um algo a mais. E esse é aquele tipo de filme que apesar de todos os esforços não consegue surpreender o espectador. É bem honesto nos efeitos, fotografia, enredo amarrado, porém é apenas um rostinho bonito na tela grande. Por mais que tenhamos um elenco repleto de astros, não me conquistou tanto. Acho que José Padilha foi muito modesto na sua estréia em Hollywood. Mais algumas situações que acontecem no decorrer da história me chamaram bastante atenção e merecem destaque.

Primeiro, o papel da mídia na formação da opinião pública. Samuel L. Jackson como Pat Novak ilustra muito bem isso. A imprensa tendenciosa e manipuladora, usada como massa de manobra em benefício de determinados grupos é mais comum do que imaginamos. No Brasil principalmente. No filme, Novak consegue, com sua retórica impecável, manipular a opinião publica a favor de um tema até então não aceito por essa mesma população que é a questão do uso de drones em solo americano. A pressão popular se torna algo tão forte que o senado americano revoga a lei que proibia esse tipo de arma. E o objetivo era bem claro, a entrada da  OMNI Corporation nesse mercado gera uma lucratividade de mais de U$ 600 milhões de lucro ao ano. Ele conseguiu reduzir a rejeição popular de 72% para patamares na casa dos 50%. (valores aproximados porque não lembro com precisão, como disse, não sou crítico de cinema e não vou ver filmes anotando tudo o que vejo).

Além disso, a crítica que José Padilha consegue fazer aos americanos, usando o dinheiro deles, dentro da indústria cultural deles,  é algo de se “glorificar de pé”. A sua experiência em auto crítica nacional em filmes como Tropa de Elite o ajudaram a de forma sutil, porém compreensível até mesmo aos leigos, fazer a crítica ao “imperialismo americano”. Na produção fica muito claro que os EUA querem mandar em tudo, se entrometer em tudo, estar em todos os lugares e por ai vai. Usar armas de “destruição em massa” como os drones na casa dos outros é bom, maravilhoso, mais são dois pesos com medidas diferentes. Usar esse tipo de arma em casa é errado, sair explodindo o quintal dos outros é muito bom, mais fazer isso em seu território já é outra história. E é justamente isso que o Michael Keaton como  Raymond Sellars, dono da OMNI Corporation tenta fazer. Já domina o mundo bélico com a ajuda dos EUA, e agora quer dominar os próprios EUA obviamente com o seu apoio e dinheiro.

Outo ponto que merece destaque é a ética científica. Até onde um cientista é capaz de se rebaixar para conseguir financiar suas pesquisas? Eu como futuro cientista histórico em breve terei que lidar com isso, principalmente como financiamento público de pesquisas que nada mais são do que interesses pessoais do pesquisador, que consegue sempre justificar que aquela pesquisa é de interesse público. Nesses anos de universidade não vi nenhuma grande repercussão em relação aos resultados das nossas pesquisas no campo das humanidades e elas geralmente ficam confinadas dentro dos muros das universidades. Gary Oldman que interpreta um brilhante cientista no filme se rebaixa ao mais baixo nível de humilhação a fim de ter financiamento. 

Por fim, mais nem por isso menos importante, está a nossa relação com as máquinas e computadores. Assim como muito bem ilustrado no filme, também creio que os homens são e sempre vão ser superiores aos computadores que criamos. Por mais que as máquinas sejam mais rápidas, mais fortes, mais e mais, etc…, elas dependem quase que integralmente dos humanos. Sendo assim, não devemos deixar que o mundo virtual nos afaste das nossas relações sociais, pessoais e humanas. Temos família, crenças, vontades, valores, e o que foi muito bem colocado no filme, diferente das máquinas, nós sentimos. 

Bom é isso. Fica ai mais um post pra pensarmos a respeito. Até a próxima!