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Sexta-feira, 13 de novembro. Mais uma vez antes de dormir me vejo diante a TV assistindo a mais uma onda de notícias manchadas de sangue, e dessa vez, sangue francês. Realmente a bruxa estava solta e a França se tornava mais alvo de ataques do grupo terrorista autointitulado Estado Islâmico que já há algum tempo vem atuando de forma violenta contra o mundo ocidental cristão. Desde então, o mundo olha atônito para as ações praticadas pelo ISIS, que paulatinamente vem assassinando, sobretudo cristãos ocidentais, através dos mais requintados métodos, variando de decapitações, afogamentos, apedrejamentos e outras tantas formas.  Em janeiro desse ano, realizaram um primeiro ataque à França. Todos se lembram da comoção mundial em prol das vítimas do jornal Charlie Hebdo que sofreu um atentado à bomba na sua redação reivindicada pelo ISIS. Desde então a França intensificou suas ações militares sob os territórios controlados pelo Estado Islâmico, principalmente na Síria que, aliás, se tornou um enorme problema para a Europa que somente após começar a receber refugiados aos montes passou a olhar mais atentamente para o problema.

O resultado dessa leva de violência por parte da França no Oriente Médio resultou em algo que ninguém podia esperar. Menos de um ano após o Je Sui Charlie, as sirenes voltam a tocar em Paris e nos deparamos com novas ações de terror dos extremistas islâmicos. Dessa vez muito mais devastador, os ataques ocorreram do lado de fora do Stade de France durante um jogo de futebol entre as seleções da França e Alemanha. Pouco minutos depois, um intenso tiroteio começa em uma zona boêmia de Paris, matando pessoas em restaurantes e na icônica casa de shows Bataclan. Como resultado, temos mais de 100 mortos e vários feridos, a decretação de estado de emergência na França inclusive com o fechamento das fronteiras, um forte aumento do policiamento e patrulhamento em todo o país principalmente na capital. Ainda restava um terrorista solto com passaporte francês.

Um grande problema em relação aos autores dos atos terroristas é a sua nacionalidade, e dessa vez assim como em janeiro, são de origem europeia e principalmente francesa. São pessoas recrutadas através da eficiente propaganda do Estado Islâmico na internet, na sua escalada contra o ocidente. O que leva então essas pessoas, que a principio não tem relação nenhuma com o problema, a se interessar em lutar uma guerra contra seu próprio país? E quais são os motivos dessa escalada da violência dos povos do oriente contra o ocidente?

Vamos começar definindo Jihad, que é um termo árabe que geralmente significa luta, esforço ou empenho. Podendo ser considerado como um dos pilares da fé islâmica, se torna um dever daqueles que a professam. A partir da interpretação radical das palavras do Profeta Muhammad, a Jihad passou a justificar ações violentas a fim de se eliminar quem fosse contra esses extremistas. Os muçulmanos pacíficos, que são maioria em todo o mundo, vão entender a Jihad como a busca para se tornar um humano melhor. Já os fundamentalistas a usam como justificativa para os banhos de sangue em nome de Alá.

Resolver isso é bem complicado. Os Estados Unidos tenta faz 14 anos desde o fatídico 11 de setembro. Matar terroristas nas montanhas do Afeganistão é uma coisa, lutar contra o fanatismo é outra bem diferente. E agora estamos diante de uma força quase oculta que se levanta contra a Europa na tentativa de construção de uma união islâmica através da junção de inúmeras etnias, povos e nações pela força. Conseguem em partes com a criação do já falado Estado Islâmico, que na verdade tem estado apenas no nome, já que não reúne as características básicas para realmente ser um estado, e por isso não conta com o reconhecimento das Nações Unidas. É um grupo moldado pela religião, onde seus princípios políticos estão alinhados com  a interpretação radical das doutrinas religiosas do Islã.

O seu aparente sucesso é possível somente porque os estados islâmicos de direito no Oriente Médio falharam ao não conseguir estabelecer lideranças bem-sucedidas e eficientes na criação de partidos modernos e seculares. A política praticada nessas áreas ainda carrega ranços da antiguidade. Aliado a isso, temos a condição de pobreza das populações da área, que não desfrutam das benesses do petróleo, gerando um intenso subdesenvolvimento econômico, atingindo em cheio essas populações, agora acoadas pelo medo e a insegurança de ficar e morrer, ou tentar se refugiar na Europa e também morrer no caminho.

É nesse cenário de terra de ninguém que brotam organizações como a Al-Qaeda, Boko Harum, Hamaz e Hezbollah dentre tantos outros que com seus discursos extremistas prometem reestabelecer os valores do Profeta Muhammad, nem que para isso seja necessário morrer e principalmente matar os infiéis.

Para tentar barrar essas organizações, o Ocidente tenta a todo custo frear as formas de financiamento do ISIS, que no seu início em abril de 2013 contava com o apoio de famílias ricas da Arábia Saudita, Qatar e outras monarquias do Golfo Pérsico. Governos que não queriam se indispor diretamente com os Estados Unidos. Hoje a principal forma de renda é pela venda ilegal de petróleo dos poços tomados a força na Síria e por pedidos de resgates de pessoas sequestradas, geralmente cristãos ocidentais. Quando esses pedidos de resgate não são atendidos pelos governos, assistimos aos vídeos de decapitações, carregados de ameaças ao ocidente. Hoje, estima-se que o Estado Islâmico conte com um patrimônio de mais de 2 bilhões de dólares e entre 20 e 80 mil combatentes espalhados por todo Oriente Médio e infiltrados nos campos  de refugiados pela Europa, além de estar via internet presente em todos os países do globo inclusive o Brasil, o que faz dessa a maior organização terrorista do planeta, maior mesmo que a Al-Qaeda, o seu embrião.

O ocidente também falha ao tentar criar estados que não atendem as expectativas das populações locais e ao estabelecer lideranças que não representam esses povos na sua totalidade. Com isso, fortalecem os grupos extremistas que atuam nessas regiões, criando assim uma bola de neve, um círculo vicioso sem fim.

E parece que é isso mesmo, pelo menos ao curto prazo essa escalada do terror contra o ocidente não terá fim, nenhum governo, nenhuma organização como a ONU e a União Europeia conseguem chegar a uma conclusão do conflito que não seja pelas vias de mais violência, enviando através de salas remotas com ar condicionado aviões e mísseis, gerando morte de inocentes e destruição de estruturas civis.

É o que penso pra hoje.

Léo!

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Referências:

FOLHA DE SÃO PAULO, Ataques coordenados aterrorizam Paris e deixam 129 mortos. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/11/1706236-policia-francesa-registra-tiroteio-e-explosao-em-paris.shtml&gt; . Acesso em 05/12/2015.

HALL, Stuart. A Identidade Cultural na pós-modernidade / Stuart Hall; tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro – 11º ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

OZ, Amós. Contra o Fanatismo / Amós Oz; tradução de Denise Cabral. – Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

PIRES, Luciano. Em nome de Alá (Podcast Café Brasil, episódio 482)/ Luciano Pires. Disponível em: <http://www.portalcafebrasil.com.br/podcasts/482-em-nome-de-ala/>. Acesso em 05/12/2015.